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Como o cérebro enxerga um logotipo e o que ele precisa para ser eficiente

Atualizado: 4 de Fev de 2019


Elas estão por toda parte, bombardeando as pessoas incessantemente todos os dias. Bob Garfield já falou dessa carga de informação massiva sobre o consumidor, Philip Kotler também alertou, ainda em 2005, que os consumidores estavam ignorando mensagens publicitárias devido à grande quantidade a que eles eram expostos.


A primeira vez que alguém tentou mensurar a quantidade de exposição de marca nas pessoas foi Bill Moran, na década de 60; Ele era o responsável pela pesquisa da agência Young & Roubican e chegou ao número de 500. Hoje, muito se fala em 5.000 exposições/dia. Ambos os números são assustadores se você for uma marca tentando ganhar espaço na mente do consumidor.


O LOGOTIPO


O logo é um dos elementos mais importantes de toda propaganda. De nada adianta um anúncio convencer o consumidor a comprar um notebook e ao chegar à loja ele se perguntar: “qual era mesmo a marca daquele notebook?”. Por isso, um formato comum hoje em dia é o de exposição de marca, como o product placement (mais conhecido no Brasil como mechandising) e patrocínios.


Marcas são atalhos mentais, grave isso. As usamos para facilitar nossas escolhas. Imagine o quão difícil seria ir ao mercado se produtos não tivessem nomes nem logos, ou se tivessem nomes, mas todos fossem escritos em Arial e na cor preta, teríamos que ler um a um para encontrar o nosso preferido. O cérebro cria atalhos para evitar trabalho desnecessário e tomar decisões mais rápidas. Semelhante ao que faz uma marca forte, facilitar a vida do seu cliente.


Para encurtar ainda mais esse atalho, podemos fazer uso de algumas técnicas e conhecimentos. Um deles é conhecer como o ser humano processa e interpreta informações como, por exemplo, as cores. E que impacto a cor azul tem no indivíduo. Há muita informação sobre a psicologia das cores disponível, então eu quero trazer algo diferente. Com a ajuda do neuromarketing, saber o que acontece no nosso cérebro quando vemos uma logomarca.


O processo de identificação



1. Ao ver uma logo, os olhos rapidamente enviam sinais para o cérebro que identifica cor e forma, em duas áreas diferentes. Segundo cientistas, é o cérebro que identifica as cores, não os olhos. Áreas do cérebro: Giro fusiforme (reconhece cores), hipocampo e área V1 do Córtex Visual (reconhece padrões).


2. As informações são agrupadas para identificar o que se está vendo. Nesse momento, o cérebro vê até o que não está lá, por exemplo, o de A a Z da logo da Amazon ou a seta na logo da FedEx. Área do cérebro: área V2 do Córtex Visual.


3. O cérebro tenta casar o padrão visual de todas as informações (cor, forma, elementos) com padrões de experiências passadas. Áreas do cérebro: lobo ocipital e temporal.


4. O cérebro adiciona à logo atributos semânticos de experiências passadas para garantir significado e reconhecimento. Coisas como o nome da marca, preferências, características da empresa, produto ou serviço, elogios ou críticas de terceiros só entram em jogo nesta etapa. Áreas do cérebro: Córtex pré-frontal e amígdala (responsável pelas emoções e recompensas)


PORTANTO...


Seja você um publicitário, designer, profissional de marketing ou empresário, o seu dever é criar logos que facilitem o trabalho do cérebro. Logos simples, atraentes e fáceis de identificar, não cheias de mensagens ocultas e embasamento sociodemografico e histórico que necessitem de explicações mirabolantes.


Já que significados semânticos e atributos emocionais são adicionados ao longo do tempo através de experiências, o design não tem muito a oferece além disso. Onde, como e quando ela será usada é o que vai determinar o seu sucesso. Uma ótima logo em um produto ruim jamais terá sucesso. Uma ótima logo em um produto bom, mas com um atendimento frustrante também não salvará a marca.


Lembre-se que a marca é o todo, e ela deve conversar com o seu público, deve compartilhar interesses (cores, formas, símbolos), mas ela também deve ser autêntica e se diferenciar das demais. Gostamos de marcas como gostamos dos nossos amigos —ao menos o nosso cérebro interpreta assim—, biologicamente há pouca diferença entre relações entre dois humanos e entre um humano e uma marca.


Então, talvez a logo perfeita seja aquela o mais natural possível e que transmita a mesma sensação que gostamos de ver em outras pessoas.